OPINIÃO

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COP 27: o papel da Amazônia para o Brasil no plano internacional

Por Mayra Castro

Da Agência Bori

11/11/2022

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Há muito tempo que as questões internacionais relacionadas à Amazônia têm cunho geopolítico e político, para além da proteção da floresta. Agora, é também uma ferramenta de posicionamento estratégico para o Brasil no que tange à sua importância internacional para uma economia mais sustentável. Quando se trata dessa temática muito falada e ainda pouco conhecida, é preciso se perguntar de que Amazônia estamos tratando, pois a região é múltipla, a marca é internacional e a cultura é complexa.

O Brasil chega no Egito para a COP 27 com um posicionamento arrojado, onde vemos a junção de política, geopolítica e economia, com a colaboração e presença do consórcio dos governadores da Amazônia Legal e o convite feito ao presidente eleito, Luiz Inácio da Silva.

Existe um protagonismo esperado e inevitável a ser explorado. No entanto, existe o que há, de fato, como demanda regional, e o que existe como expectativa externa. Para todos os fins, nenhum país do mundo entende melhor de Amazônia do que a própria região em si, pois temos um novo paradigma a ser construído, uma economia da floresta. E só quem vive e conhece pode compartilhar a experiência.

Para que a Amazônia cumpra o seu papel nesse cenário político internacional, faz-se necessário olhar para a região com a sua pluralidade. Afinal, não existe árvore dando frutos sem raízes. Isso porque o storytelling e a construção de narrativa movem o mundo há séculos, agitam mercados e conquistam consumidores. E nesse momento em que mecanismos financeiros serão discutidos na COP 27, isso se torna ainda mais relevante.

E qual a narrativa de Amazônia no plano internacional? A Amazônia é um berço de soluções, tecnologias, conhecimento, tradições e pessoas das mais diversas que carregam a cultura regional como herança.  Com isso, as questões ambientais para as quais tanto o mundo quanto o Brasil olham estão intrinsecamente atreladas às questões sociais e econômicas na região.

É preciso conhecer para transformar. A construção de narrativa internacional da Amazônia a partir da ótica regional é uma visão estratégica que enfatiza a lógica do local indo para o global. Na prática, isso reflete a potência da região para o desenvolvimento de um ecossistema e ambiente de negócios que transformem a Amazônia em destino de investimentos que fomentem o valor da sociobiodiversidade regional.

Geopoliticamente, aqueles que estiverem melhor posicionados quanto à pauta verde terão vantagens competitivas. Nesse sentido, quanto mais apropriados os países estiverem sobre a questão da Amazônia, melhor posicionados estarão, afinal, não é só sobre proteger a maior floresta do mundo e, sim, sobre o que a região dessa floresta tem a oferecer, desde propriedade intelectual e acesso a patrimônio genético a minérios e demais commodities. O Brasil também precisa se apropriar dessa discussão.

Para isso, uma nova forma de olhar a região se faz necessária, haja vista que o Brasil agora que está começando a entender que Amazônia e norte do país são a mesma coisa e que índices de pobreza na região versus o que ela pode proporcionar precisam ser questionados. A história de uma Amazônia de vanguarda é a narrativa propícia para lidar com as oportunidades e questionamentos que o plano internacional pode oferecer.

“É nossa a responsabilidade co-criar e levar ao mundo soluções que integrem os conhecimentos e interesses locais. Para isso é necessário ambição, coragem e ação para ocupar a cena nacional e internacional através de impacto, comunicação e, principalmente, união”, relata Lise Tupiassu, professora da Universidade Federal do Pará e coordenadora da Clínica de Direitos Humanos da Amazônia.

Considerando a Amazônia plural, existe aquela devastada e noticiada internacionalmente, mas também existe uma Amazônia que pode se tornar um destino para investimento e um hub de negócios, no intuito de desenvolver uma economia mais consciente e de base tradicional que faça o mundo conhecer a floresta a partir da sua potência criativa, econômica e cultural.  Isso é um posicionamento estratégico a ser considerado.

Mayra Castro é CEO da InvestAmazônia, amazônida, designer de conexões e parcerias, mestre em direito internacional e europeu pela Universidade de Genebra, na Suíça.

Os artigos de opinião publicados não refletem, necessariamente, a opinião da Agência Bori e do Noticiar.net. 

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