TURISMO

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Parque da Canastra faz 50 anos 
preservando bioma Cerrado

Reportagem edição: Keuly Vianney
n.noticiar@gmail.com
26/03/2022

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No próximo 3 de abril, o Parque Nacional da Serra da Canastra, entre as regiões Oeste e Sul de Minas Gerais, completa 50 anos, consolidando sua importância turística e ambiental para o Brasil, pois ali no Parna Canastra se encontra preservado o Cerrado com a diversidade de sua rica fauna e flora. 


Desde a última década, a Serra da Canastra aparece como um dos destinos turísticos brasileiros mais procurados quando o assunto é natureza, turismo de contemplação e esporte de aventura, abrangendo parte do território de seis cidades: São Roque de Minas, berço do queijo Canastra, Vargem Bonita, Capitólio, São João Batista do Glória, Delfinópolis e Sacramento. 

Ali, também estão o Rio São Francisco e a Casca D'anta, uma das mais altas e belas cachoeiras do país com seus 186m de queda livre. Estes são os dois principais atrativos do parque, que possui mais de 200 mil hectares (ha), mas existem outros oito pontos que valem a pena ser visitados.

 
A melhor temporada de visitação começa agora em abril indo até outubro, quando o tempo e o clima mais seco do outuno-inverno, com menos chuvas, facilita o acesso às atrações sem grandes transtornos e acidentes. 

Em 2019, o parque inaugurou dois novos atrativos: a Trilha do Cerrado, próxima ao Centro de Visitantes, com percurso de 2,3mil m, e as Ruínas da Fazenda Zagaia. 


Veja abaixo reprodução do mapa de abrangência e dos principais atrativos dentro do Parna Canastra, divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), e que atraem milhares de visitantes todos anos. A começar do Centro de Visitantes, que é a portaria 1 do parque, no Chapadão da Canastra. 

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Além desses atrativos específicos, o turista pode aproveitar para conhecer lugares da Serra da Canastra ainda pouco visitados com mata nativa, paisagens  e cachoeiras belíssimas de águas cristalinas, aves e animais que fazem dessa região um local especial. 


Por toda Serra da Canastra, é possível apreciar o Cerrado com sua vegetação de savanas, campos e florestas, que se harmonizam perfeitamente com a beleza singular dos planaltos e vales. Dos planaltos, os mais conhecidos são o Chapadão da Babilônia e o Chapadão da Canastra, onde fica o famoso paredão com formato de baú antigo, denominado de Canastra, e de onde foi tirado o nome da região. 

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Belas paisagens, chapadões, vales e cachoeiras compõem cenário canastreiro / Fotos: Divulgação

Já dos vales, os mais famosos são o Vão dos Cândidos, o Vão da Babilônia, Vale dos Canteiros, em São João Batista do Glória, e o Vale da Gurita, em Delfinópolis. 


Para o chefe do Parna Canastra, Carlos Henrique Bernardes, a importância de se comemorar os 50 anos de criação do parque passa, necessariamente, pela preservação de todo ecossistema do Cerrado. Hoje, o parque é administrado somente pelo ICMbio. 

"O Parque Nacional da Serra da Canastra presta à sociedade valiosos serviços ecossistêmicos sendo que, não fosse a sua criação em 1972 e a proteção que esta proporcionou aos recursos naturais e à biodiversidade do Cerrado na região, muito provavelmente não teríamos mais as belezas naturais, nascentes cristalinas, cachoeiras, fauna e flora preservadas como se apresentam hoje", diz Bernardes. 


Conforme ele, o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul ocupando cerca de 23% do território nacional. Entretanto, é um dos mais antropizados, restando apenas 54% da cobertura vegetal nativa. A Serra da Canastra preserva e integra todo esse sistema natural na região Sudeste, a mais desenvolvida e de grande avanço urbano do país. 

1.512 

espécies da flora
estão na lista 
do Parna Canastra, como a sempre-viva

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1.257 

espécies da fauna
estão na lista 
do Parna Canastra, como o lobo-guará

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14 

espécies da fauna
ameaçadas de extinção, como o Pato-mergulhão,

estão protegidas no parque 

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Fonte: ICMbio

"O Cerrado é formado por diversas fitofisionomias, sendo que as formações campestres correspondem a apenas 7% do bioma. E é justamente essa formação que é mais abundante e está protegida no Parque Nacional da Serra da Canastra. Além disso, o parque é o habitat de uma das espécies de aves aquáticas mais raras do mundo, o Pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), que é considerada o símbolo das águas brasileiras e sua maior população encontra-se protegida na Serra da Canastra", lembra. 


O chefe da unidade destaca que, graças à proteção oferecida pelo Parna da Serra da Canastra, o Cerrado dessa região de Minas Gerais garante refúgio para sobrevivência de várias espécies animais além do pato-mergulhão, como o tamanduá-bandeira, lobo-guará, veado-campeiro, entre outros, e da riquíssima flora dos campos nativos e matas do parque. 

Magnífica Casca D'anta possui 186m de queda livre / Foto: Divulgação

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E se o turista tiver sorte, pode se deparar com qualquer uma dessas espécimes visitando os belos recantos canastreiros. "Lembrando que toda essa beleza natural, com destaque para a monumental cachoeira Casca D’anta com seus 186 metros de queda livre, atrai anualmente dezenas de milhares de turistas que vem conhecer esses atrativos naturais e, com isso, contribuem para movimentar a economia regional, gerando empregos e renda para milhares de pessoas", complementa Bernardes.


Veja aqui informações e recomendações do ICMbio para quem deseja visitar o parque como turista consciente, preservador do meio ambiente e com guias credenciados.  

Queijo internacional
A culinária canastreira é parte da cozinha mineira e não tem como falar da Serra da Canastra sem citar o famoso queijo Canastra. Incorporado à cultura de Minas, a iguaria é produzida há mais de 200 anos na região e seu sabor único garante um terroir específico que vem conquistando a gastronomia mundial, com medalhas em concursos internacionais na França. 


Devido à sua importância local e nacional, é considerado Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O legítimo queijo Canastra só é produzido em sete cidades da região: São Roque de Minas, Vargem Bonita, Delfinópolis, Piumhi, Bambuí, Medeiros e Tapiraí, onde há o clima, temperatura e pastagem da serra ideais para produção da iguaria. 

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Queijo Canastra ganhou prêmios internacionais pelo seu sabor único

Veja decreto que criou parque como Unidade de Conservação

O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado pelo Decreto nº 70.355, de 3 de abril de 1972, assinado pelo então presidente general Emílio Garrastazu Médici, com uma área de mais de 200 mil hectares como Unidade de Conservação. Conforme o documento assinado na época da ditadura militar, a área patrimonial do parque ficou sob administração e jurisdição do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal do Ministério da Agricultura.


Na época, a desapropriação de terras causou polêmica pela não-aceitação dos proprietários dos limites da Unidade de Conservação. De acordo com o Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra da Canastra, elaborado pelo Ibama em 2005, do total da área decretada, possuem situação finduária regularizada 71.525 ha, ou seja, sob posse e domínio do instituto. 

Os outros 130 mil ha são de propriedades/posses ainda não regularizados, o que não deixa de haver discussão até nos dias atuais sobre a forma de desapropriação de produtores que nasceram ou vivem de alguma atividade ligada à Serra da Canastra. 
 

Futuro
No início de fevereiro deste ano, o governo federal anunciou a inclusão do Parna Canastra no Programa Nacional de Desestatização (PND) para fins de concessão para empresas privadas. As que ganharem o leilão vão prestar serviços de apoio à visitação do parque, com previsão de custeio de ações de apoio à conservação, proteção e à gestão. 

O chefe do Parna Canastra, Carlos Henrique Bernardes, informou à reportagem que já há diversos projetos em andamento que irão beneficiar a população da região da Canastra, bem como toda a sociedade brasileira, destacando a inclusão do parque no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal. 


"A inclusão/qualificação do parque neste programa abrange a delegação dos serviços relacionados ao uso público, como turismo e visitação. A delegação de tais serviços visa potencializar atividades que contribuem para geração de emprego e renda, para a qualidade de vida das pessoas e aprimorar a experiencia da visitação nas Unidades de Conservação, aproximando a sociedade do patrimônio natural e cultural protegidos pelo parque", finaliza.

COMO CHEGAR AO PARQUE DA SERRA DA CANASTRA


Atualmente, o Parque Nacional da Serra da Canastra possui quatro portarias para entrada, sendo a principal 1 em São Roque de Minas, a 2 em São João Batista da Canastra, a 3 em Sacramento e a 4 próximo a São José do Barreiro.

 

Veja distância mais curtas para os atrativos: 
9km: a portaria 4 é a mais próxima da parte baixa da Casca D'anta. 
12km: acesso à nascente histórica do rio São Francisco saindo de São Roque de Minas. 
22km: acesso à parte baixa da Casca D'anta via Vargem Bonita. 
34km: acesso à parte alta da Casca D'anta a partir de São Roque de Minas. 

Via aérea
Araxá, a 160 km, e Piumhi, a 70 km da nascente histórica do Rio São Francisco, são as cidades mais próximas com estrutura aeroportuária.

Via rodovia
De Belo Horizonte: a 320 km da nascente. Saindo da cidade pela BR-381, toma-se a BR-262 sentido Triângulo Mineiro e segue-se a MG-050 até Piumhi/MG. 


De São Paulo: o caminho é por Campinas de onde se acessa o Sul de Minas Gerais, sentido São Sebastião do Paraíso e Passos, onde há boa infraestrutura hoteleira. De Passos, cruzando a ponte do Rio Grande, pode-se entrar na área não regularizada via São João Batista do Glória ou seguir pela rodovia MG-050 até Piumhi e dali para São Roque de Minas (nascente e parte alta da Casca D'anta) e Vargem Bonita (parte baixa da Casca D'anta). 
 

Há ainda a possibilidade de entrada em Minas via Franca (SP), buscando-se Delfinópolis e acessando o parque por sua área não regularizada. A rodovia MG-050 é pavimentada e as demais opções são feitas em estradas de terra muitas vezes em estado precário, desaconselhável para veículos que não sejam 4x4.


Motos com placa, bicicletas e veículos offroad são bem-vindos, desde que se mantenham nas estradas, pois fora delas estarão sujeitos à multa nos termos da legislação ambiental.
 

Funcionamento
Todos os dias, das 8h às 18 h, sendo que a entrada é permitida até às 16h. Conforme administração, visitantes a pé ou de bicicleta poderão entrar e sair do parque nas portarias 1, 2 e 3 em horário especial sem autorização prévia, das 4h até às 21h
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