OPINIÃO

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O homem de paz

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Por Ailson Pereira
Especial para o Noticiar.net
27/04/2022

O homem. Esse é o título de uma letra de música, que dizem ter sido psicografada pelo médium Chico Xavier para o cantor Roberto Carlos. Em uma de suas frases, existe uma referência à palavra paz. Peço permissão para transcrever a frase específica: "..., e paz, ele trazia no coração". Ainda bem que não ousei cantar, mas a música é bem agradável de se ouvir. No entanto, nessa parte da canção, não sei porque, passei a refletir na informação deixada.

Como deve ser a pessoa em paz interior sem nenhum complexo de culpa?
Ao pensar sobre essa questão, a imagem daquele homem, chamado Jesus de Nazaré, me aflorou à mente e fiz um esforço de viajar no tempo procurando por aquele homem que, conforme a história contada, nasceu e cresceu numa região de temperatura rigorosa pelo calor escaldante, sem falar na aridez do terreno em que ele viveu até os seus 30 e poucos anos.

Qual seria a sensação de estar próximo a ele, o que eu faria ou diria se tivesse essa chance por alguns minutos? Confesso que não sei! Em outro livro da lavra psicográfica de Chico Xavier, Há Dois Mil Anos, seu mentor espiritual Emmannuel, na figura de Públio Lentulus, governador da Judéia, narra seu encontro com Jesus e é realmente algo indescritível sob a injunção das forças espirituais de Jesus e os sentimentos  controversos do homem humano ali à sua frente. 
 
Mas a palavra paz, soou muito forte em mim, portanto, procurei então, compreendê-la de maneira mais profunda. Já que eu não posso me aproximar do "homem", então preciso entender como ela ressoava junto dele e em torno dele. 

Imagino que deva ser uma sensação de harmonia e equilíbrio interior em seu grau mais elevado. Nada nos abala, não tememos nada e conseguimos compreender tudo que acontece, dentro de uma lógica de amor sem paixão. O instituto da paz é realmente um caso diferenciado, que torna diferente aquele que consegue esse estado interior de compreensão e confiança. 

 

O remédio da paz está descrito no Evangelho de Mateus, 5:9 assim: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus". Conta-se que os espíritos puros, que alcançaram um estágio evolutivo de superioridade moral não vêem Deus, mas o compreendem e se tornam seus emissários diretos nas infindáveis missões e trabalhos de geração contínua do Criador!

Fiquei vários minutos a refletir sobre essa sensação e foi então que pensei ser Jesus, um desses seres evoluídos, o qual ousou visitar os homens na Terra a dar o seu testemunho vivo da mensagem do Pai para seus filhos. Pensei naqueles homens cheios de ideais, que na defesa de suas idéias não abrem mão de nada.

 

São verdadeiras fortalezas espirituais encarnadas a dar o exemplo do que acreditam e se propuseram a fazer em suas missões. Me lembrei de que faço parte da maioria esmagadora dos homens que, ainda, não conseguem harmonizar consigo mesmos.

Não me entristeci porém, continuei a refletir. Vivemos em guerra interior, através das experiências variadas que a vida proporciona a cada um de nós, em terrenos de difícil acesso ou em relações com nossos semelhantes quase sempre à base de conflitos. Descobri que quem anda em paz não discute, respeita; não debate, compreende; não revida, mas oferece a outra face; não fere, mas cuida; não maltrata, mas bem trata.

A pessoa que traz a paz em sua legítima acepção, é completamente diferente do cidadão comum como a gente. Alcançar esse estado de equilíbrio interior deveria ser a meta de todos nós. Mas como somos ainda ignorantes, materialistas, imediatistas, inconformados e, principalmente, criaturas cheias de guerras internas.

Todavia, o que podemos fazer? Seguir adiante e trabalhando essas concepções por enquanto equivocadas e sem os devidos cuidados para não entrarmos em guerras por coisas diminutas que não irão nos trazer as respostas das perguntas que continuaremos a formular. 
Sigamos em paz, se pudermos!

Ailson Pereira é de Passos (MG), bacharel em Direito pela Uemg e estudioso da doutrina espírita

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