CIÊNCIA

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Cientista de Passos pesquisa proteína do SARS-Cov-2

Reportagem e edição: Keuly Vianney

n.noticiar@gmail.com

19/10/2021

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Fotos: Divulgação

Uma jovem passense  trabalha numa pesquisa científica na Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto que pode ajudar na busca da cura contra a Covid-19. Desde junho de 2020, a pesquisadora Flávia Duarte Maia, de 25 anos, se debruça no estudo da proteína NSP8 do SARS- Cov-2 e como ela interage com a mitocôndria em células humanas.

Conforme Flávia, no futuro a pesquisa pode ajudar um outro estudo que tente inibir a ação do novo coronavírus na célula. O fato é que existem outras pesquisas em andamento sobre a proteína NSP8, mas não exatamente como a passense vem investigando, que é da interação com as mitocôndrias, as quais possuem funções essenciais nas células, como a produção de energia nas atividades do organismo.

A pesquisa está na terceira fase, sendo que já foram realizados vários ensaios teóricos e experimentos científicos avaliando o genoma e o DNA da proteína do novo coronavírus. A passense Flávia enviou um áudio exclusivo ao Noticiar.net explicando sobre o estudo, etapas e a importância para outras pesquisas em andamento pelo mundo afora (ouça áudio ao lado).

A passense desenvolve a pesquisa em conjunto com outros dois laboratórios da USP, orientada pelo professor doutor Daniel Teixeira, do Laboratório de Toxicologia Mitocondrial e Experimental, e cor-orientada pela professora doutora Taísa Magnani Dinamarco, do Laboratório de Biotecnologia de Proteínas. Ela é bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, numa ação emergencial para pesquisas do novo coronavírus.

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“Os laboratórios que faço parte são compostos por diversos pesquisadores com diferentes pesquisas que não são ligadas à Covid-19. Desenvolvo minha pesquisa com colaboração da pesquisadora Deborah Kimie Yonamine, que realiza pesquisa muito semelhante no seu doutorado, no qual ela estuda uma proteína, também do SARS-Cov-2, mas diferente da minha”, explica.

Apesar de ser uma cientista ainda novata, a passense acredita que está dando sua contribuição à ciência ao se dedicar horas a fio para um estudo científico que pode ajudar a humanidade a superar um dos piores momentos da saúde pública  mundial devido à pandemia da Covid-19.

“Me sinto privilegiada em poder estudar esse vírus. Privilegiada de contribuir para a ciência num evento histórico como esse e, mesmo que de forma singela, fazer parte do desenvolvimento da ciência no nosso país”.

Família

Flávia é filha de um passense conhecido, o professor e defensor das causas sociais Auro Maia, e de Susana Duarte Maia, que sempre a incentivaram nos estudos. Ela viveu em Passos até os 17 anos, quando se mudou para o Rio Grande do Sul a fim de cursar Faculdade de Química na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Seis meses depois, transferiu-se para Ribeirão Preto, onde terminou na graduação na Faculdade de Filosofia, Ciências  e Letras da USP.

“Nem sempre tive o sonho de ser cientista. Quando criança, quis ser veterinária e, depois, engenheira mecatrônica. Mas, lembro de ter um brinquedo que eram tubos de ensaio e eu colocava um sobretudo de minha mãe para fazer experimentos de brincadeira”, recorda.

“Acredito que sempre esteve escondida em mim essa ligação com a ciência, mas isso é fruto de um apoio familiar imenso, em relação à ciência e à educação. Meus pais sempre me falaram que conhecimento é a única coisa que não vão tirar de mim e sempre me mostraram a importância de lutar por aquilo que acreditamos. Num momento como esse que estamos vivendo, que a ciência tem sido tão atacada, é ainda mais importante nos mantermos de pé nessa luta”, afirma. 

Sobre as áreas científicas, ela ainda não sabe ao certo a qual delas se dedicaria profissionalmente. “A química de forma geral me encanta. Eu não era da bioquímica até entrar no mestrado. Fiz iniciação científica na área de analítica e estou, cada vez, desbravando um pouco mais desse universo que é a química”.

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Flávia manipula gel para pesquisar proteína do novo coronavírus

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