MEMÓRIA

Após 20 anos, como estão

lembranças do 11 de setembro?

Reportagem e edição: Keuly Vianney

n.noticiar@gmail.com

10/09/2021

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Neste 11 de setembro, são lembrados os 20 anos do atentado terrorista às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Whashington, nos Estados Unidos. As lembranças dos aviões colidindo nos dois prédios de 417m de altura e, depois, desmoronando ficaram na memória (e imaginário) de muita gente pelo mundo afora. Por isso, o Noticiar.net perguntou a cinco pessoas: onde elas estavam e o que faziam no momento do ataque de 11 de setembro de 2001?

Além da morte de mais de 3 mil pessoas, muitas mudanças ocorreram no mundo nessas duas décadas, pois a tragédia alterou o cenário geopolítico, intensificando guerras no Oriente Médio. A começar da política e segurança global, nos serviços de inteligência e no antiterrorismo. A principal medida dos americanos foi a caçada ao grupo Al-Qaeda, comandado por Osama Bin Laden, que reivindicou o ataque e evidenciou a vulnerabilidade da maior potência militar do mundo em seu próprio território.

Procurando culpados, os americanos invadiram o Afeganistão em 2001, então controlado pelo regime Taleban, e o Iraque em 2003, governado pelo ditador Saddam Hussein. Os dois eram vistos como apoiadores da Al-Qaeda e foram caçados até a morte.

As conseqüências do 11 de setembro são sentidas até hoje, principalmente em novos ataques terroristas aos Estados Unidos e Europa, como na França em 2015. Recentemente, o povo afegão sofreu com o retorno dos talebans ao poder, ao mesmo tempo em que acontecia a retirada das tropas militares do Tio Sam do país.

No local da tragédia em Nova York, o ground zero (marco zero), foi erguido o Memorial & Museu Nacional de 11 de setembro, com um espelho d’água onde ficavam as duas torres, cercado por uma lista de nomes das vítimas de várias nacionalidades, incluindo brasileiros.

Por outro lado, existem teorias conspiratórias questionando e discordando da versão oficial dos atentados apresentada pelos americanos. Veja abaixo a experiência de cinco pessoas no fatídico 11 de setembro de 2001:

No olho do furacão

“Acordei cedo com uma porta do apartamento batendo bruscamente. Depois disso, minha mãe ligou do Brasil contando o que estava acontecendo. Eu morava na 93st, na área alta de Manhattan (uptown), em Nova York. As torres ficavam na parte baixa (downtown). Liguei a TV e vi a primeira torre pegando fogo. Me senti estranho, como se estivesse vendo um filme, mas acreditava que o sistema de incêndio apagaria o fogo. 20 minutos depois, o segundo avião bateu na torre, foi quando me dei conta do problema. Saí da cama e fui me preparar para trabalhar. No meio do dia, minha patroa resolveu fechar o salão. Lembro que o esposo da recepcionista trabalhava lá, mas ele sobreviveu. Ao voltar para casa, o que vi foi como se fosse uma procissão de gente toda suja de poeira. Parecia algo de filme. Não tinha trem e nem ônibus. Parecia um grande enterro. Ninguém conversava. A poeira ficou concentrada em downtown, mas dois dias depois, um odor forte se espalhou pela cidade e sentimos o cheiro de morte mesmo, da decomposição dos corpos. Só visitei aquela área meses mais tarde”. Dayler Chagas, cabeleireiro de Passos (MG), que hoje continua morando em Nova York. Ao lado, foto de Dayler em 1998 com as Torres Gêmeas ao fundo 

Calafrio e comoção

“No dia 11 de setembro de 2001, eu saí bem cedo para algumas tarefas de trabalho e voltei para casa ainda na metade da manhã, pois na ocasião eu trabalhava em assessoria de comunicação e marketing em sistema de 'home office'. Eu morava em Passos, na rua Lavras, com minha mãe, meu avô e meu irmão. Não me lembro exatamente a que horas, mas sei que antes do horário de almoço nós ligamos a TV e vimos com espanto as imagens dos aviões colidindo com as Torres Gêmeas e a informação de que se tratava de um atentado terrorista. A lembrança daquelas cenas me causa calafrios até hoje. Toda imagem de violência e guerra, a qualquer tempo, nos causa comoção, mas aquela, numa metrópole, fora de uma zona de guerra, foi muito assustadora”. Vanessa Braz Cassolli, relações públicas, mora hoje em São João Batista do Glória (MG)

Farsa americana

“Eu estava no escritório de advocacia que eu trabalhava em Belo Horizonte, era de manhã, e um amigo me ligou e perguntou se eu estava sabendo que um avião, não se sabia qual, tinha batido numa das torres do WTC. Eu fiquei bravo com ele, pois estava lotado de coisas para fazer, e ele estava passando trote em mim. Aí, no meio da conversa, ele grita: BATEU OUTRO!!! NA OUTRA TORRE! Eu o xinguei e desliguei. Naquela época, os computadores não ficavam ligados permanentemente na Internet, logo, não tínhamos acesso às informações como hoje. Um tempo depois, nosso chefe chegou na sala e avisou o que estava acontecendo e, inacreditavelmente, nos dispensou para podermos acompanhar tudo de casa. E assim fui para casa acompanhar a maior farsa de todos os tempos... o dia que o governo americano atentou contra seu próprio povo para justificar uma guerra”. Bruno Américo Rios Malachias, advogado, que ainda mora em Belo Horizonte

Mundo acabando

“Bertha minha prima, morava comigo em East Boston, Massachusetts. Eu estava dormindo e acordei com nossa boss na época ligando, dizendo para não irmos trabalhar porque o Pentágono e as Torres gêmeas haviam sido atacados. Ninguém podia sair nem por terra, ar ou mar. Choramos muito. Todas nós. Morávamos num prédio de 3 andares e nos 2 últimos, só brasileiras e uma bicha chata pra dedéu. Meu pai ligou para eu voltar e a Letícia, mãe da Bertha, também. À noite, no entanto, compramos cerveja, assei pão de queijo, convidamos amigos e encenei minhas personagens pra aproveitarmos o dia de folga e rirmos um pouco depois de tanta tristeza. Afinal, pensamos que o mundo estava acabando e graças a Deus estávamos todos bem vivos”. Edel Holz, atriz, diretora e produtora teatral, que continua morando em Boston, nos Estados Unidos

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Sem poder fazer nada

"Estava no trabalho em Piumhi quando um amigo me disse: você já viu na TV? Tá tudo caindo em Nova York!!! Corri para uma sala ao lado e liguei a TV. Incrédula, como todo o mundo, fiquei chocada com as cenas em tempo real. Pessoas corriam desesperadamente e uma densa poeira cobria praticamente tudo ao redor! O mundo assistia ao vivo, em pânico, as torres arderem em chamas e ruírem, sem poder fazer absolutamente nada!" Maria Cristina Costa e Silva, jornalista, que atualmente mora no Rio de Janeiro

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