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No lockdown inteligente, passense conta como está flexibilização na Holanda

Reportagem e edição: Keuly Vianney

WebDesign: Hanna Teixeira

20/06/2020

Há um ano, a passense Liliana Mendes Maldi vive na Holanda, país da Europa que está em fase de relaxamento das medidas sanitárias em relação ao novo coronavírus, graças ao lockdown inteligente adotado pelo governo logo no início da pandemia. Ela conta para o Noticiar.net sua experiência nesse momento de flexibilização em Eindhoven, cidade a 110km da capital Amsterdã, e como vem tentando resgatar seu dia a dia como era antes das mudanças impostas pela Covid-19.

“Não voltou tudo ao normal, porque ainda temos muitas restrições. As lojas vão abrindo aos poucos, no transporte público ainda é obrigatório o uso de máscara e quem pode, trabalha em casa”, diz Liliana diretamente do país das tulipas e dos moinhos de vento. “O governo flexibilizou mais neste momento porque a doença está sob controle e estamos entrando no verão, que é um período curto e ajuda a amenizar um pouco o isolamento. Aqui, as pessoas são muito conscientes”, completa.

Liliana com sua bicicleta em Eindhoven; ela está evitando transporte público

Depois de ficar dois meses em lockdown inteligente, a passense diz que a cidade no sul do país e com cerca de 250 mil habitantes, conhecida pelo seu desenvolvimento tecnológico e design futurista, já está com parques, lojas e restaurantes abertos, mas as ruas não estão lotadas como antes e nem há aglomeração de pessoas. Eindhoven é onde a Philips foi fundada, sendo famosa também pelo time de futebol PSV Eindhoven, onde jogaram Romário e Ronaldo Fenômeno.

No centro de Eindhoven, por exemplo, há placas e sinalização para todo lado, lembrando da necessidade do distanciamento social e de manter a higiene pessoal (confira fotos na Galeria enviadas por Liliana especialmente à reportagem).

“A maioria das pessoas não usa mais o transporte público, preferindo não sair de casa ou quando sai, vai de carro particular, a pé ou usa bicicleta, que já era um hábito dos holandeses. Nas lojas, há filas para não entrar muitas pessoas ao mesmo tempo e para ir nos restaurantes tem que reservar antes, nem que seja para tomar um café ou cerveja”.

Conforme Liliana, o governo também orientou para que as pessoas não andem em grupo, no máximo em dupla e mantendo o distanciamento. Não é obrigatório o uso de máscara na rua, mas muita gente usa. “Aqui, as pessoas são mais conscientes em comparação ao Brasil e não há necessidade de muita fiscalização e nem de medidas extremas”.

Liliana foi para a Europa em 2018 em busca de sua cidadania italiana. Trabalhava como baby sitter e cleaner. Após reunir toda documentação, ela iria para Itália para finalizar o processo burocrático, mas com a pandemia teve que adiar os planos e permanecer na Holanda, pois as fronteiras foram fechadas para evitar a propagação do coronavírus. Ela não conseguiu nem ver o irmão, Wilton de Sousa Maldi Junior, que morava na Bélgica com a esposa.

 

O tempo de isolamento Liliana passou sozinha na Holanda, morando numa casa com pessoas de outros países que estavam na mesma condição. Para ela, foram meses duros (assista vídeo ao lado).

“No início, Eindhovem teve muitos casos da doença. Cheguei até sentir alguns sintomas, que duraram uma semana. Não sei se foi psicológico porque não fiz o teste de Covid-19, mas diagnosticaram uma virose. Antes da pandemia, eu trabalhava muito, usava muito o transporte público e tinha várias atividades”, conta.

Por cerca de dois meses, os holandeses viveram o lockdown inteligente, com o governo autorizando saídas rápidas, como caminhar ou passear com os animais. O comércio foi fechado, com abertura somente dos estabelecimentos essenciais.

“O governo liberou ida ao supermercado, mas com toda segurança em filas e distanciamento de 1,5m. Alguns estabelecimentos não aceitavam mais dinheiro, somente cartão. Adquiri uma bicicleta e não precisei mais usar transporte público. Fazia algumas caminhadas, mas sempre sozinha. Não podíamos receber visitas. Apesar de não fazermos lockdown total, foi uma época muito triste e até um vizinho entrou em surto. Percebi que as pessoas passaram a consumir mais álcool e drogas, que são liberadas na Holanda”.

No pico da doença, os pais de Liliana, que moram em Passos, ficaram muito preocupados com a filha pelo fato dela estar sozinha. Mas, o tempo foi passando e a passense conseguiu superar a fase difícil, tratando de reverter a situação para melhorar sua qualidade de vida.  

No isolamento, Liliana aproveitou o tempo para se reorganizar, fez dieta e emagreceu 10kg, além de manter mais contato com a família via internet.

“Começamos a fazer em família o que nunca tínhamos feito antes. Usei esse tempo em meu benefício, estudei e fiz atividades que, no dia a dia, a gente não dá muita importância”, conta.

No momento, ela vive as conseqüências do novo coronavírus, tentando voltar ao ritmo normal de trabalho. “Já estou notando que muitas pessoas não têm mais condições de pagar meus serviços, que não são considerados baratos na Europa. Acredito que este ano não existe planejamento”, afirma. "Infelizmente, qualquer país que tiver muitos casos do novo coronavírus, como o Brasil, a entrada na Europa vai ficar difícil”.

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