SAÚDE

Vale a pena abandonar máscaras contra Covid-19?

Texto: Keuly Vianney

n.noticiar@gmail.com

14/03/2022

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Muitas cidades brasileiras começaram a flexibilizar as medidas preventivas contra a Covid-19 na última semana devido ao avanço da vacinação e à queda no número de casos da doença. A principal delas é que o uso máscara em lugares abertos já não é mais obrigatório. Em Minas, a situação não é diferente, como em Passos, no Sul do Estado, onde a prefeitura liberou o acessório desde a última sexta-feira. Mas, vale a pena abandonar as máscaras neste momento? 


Veja casos para quem deve continuar usando a máscara mesmo com a desobrigação na Galeria acima, conforme infectologistas (arraste e clique nas fotos para ler a legenda). 

Depois de 2 anos de pandemia, a população está desgastada com a situação, mas especialistas acham precoce a retirada das máscaras. Elas ainda são fortemente indicadas para uso em ambientes fechados, principalmente no transporte público, salas de aula e locais de aglomeração de pessoas. 


Para o Instituto Fiocruz, no Rio de Janeiro, é precoce a flexibilização do uso de máscaras no Brasil, em boletim divulgado no último 12 de março. "Como vem sendo alertado por diversos pesquisadores, a pandemia de Covid-19 possui diversos aspectos sociais, biológicos e epidemiológicos. Da mesma maneira, as medidas de controle da transmissão e de redução do impacto da pandemia dependem de um conjunto coerente de ações de saúde. A vacinação é uma delas, mas não pode ser adotada como opção exclusiva", diz.

Conforme estudo recente nos Estados Unidos divulgado pelo boletim, as máscaras faciais possuem bom custo-efetivadade, proporcionando efeitos de redução de transmissão da doença, com queda de casos, redução de internações etc. 


"Os autores concluem que deve ser mantido o uso de máscara facial por cerca de 2 a 10 semanas além da data em que seja alcançada a cobertura vacinal completa da população alvo (70% a 90%)". De acordo com Mapa da Vacinação no Brasil, 73,3% da população está vacinada com duas doses ou dose única. Em Minas Gerais, 75,4% dos mineiros estão nessa situação. 

A Fiocruz complementa informando que o surgimento das variantes, como a Ômicron, só aumenta a importância do uso das máscaras. "A vacinação por si só não é suficiente para controlar a pandemia e prevenir mortes e sofrimento, é fundamental que se mantenha um conjunto de medidas combinadas até que o patamar adequado de cobertura vacinal da população alvo seja alcançado. Cada medida disponível tem limitações diferentes, a combinação de várias delas pode não apenas cobrir lacunas, mas também aprimorá-las". 


Infectologistas da Sociedade Brasileira de Infectologia também acreditam ser cedo para liberar o uso de máscaras ao ar livre, sendo totalmente contra a flexibilização em ambientes fechados neste momento. Alguns acham que essa discussão deveria iniciar somente no segundo semestre, após constarar uma eficácia mais segura das vacinação contra a o novo coronavírus. 

Além das máscaras, é essencial que a população mantenha os hábitos informados desde o início da pandemia e preconizados pelos principais órgãos de saúde no mundo: manter higienização das mãos, lavando com sabonete ou álcool em gel; evitar aglomerações e manter distanciamento social. 

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