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#organicos e #sustentaveis

Reportagem e fotos: Keuly Vianney  03/10/2019

Enquanto se discute sobre política ambiental e sustentabilidade do planeta, algumas pessoas já pensam no meio ambiente e produzem de forma mais consciente

O mundo vive um momento de atenção à sustentabilidade do planeta. Desastres ambientais, incêndios e queimadas nas matas e florestas provocadas pelo próprio homem despertam preocupação mundial devido à ausência de políticas ambientais efetivas. O que traz certo alívio é que há pequenas atitudes que fazem grande diferença, como no caso dos produtos orgânicos e sustentáveis.

Sim, existem pessoas que se preocupam com o meio ambiente e trabalham em prol da causa, consumindo ou produzindo de forma mais consciente. O engajamento pode ser mínimo, porém o planeta já agradece.

De acordo com o Sebrae, o produto sustentável é aquele que apresenta melhor desempenho ambiental ao longo de seu ciclo de vida, com função e nível de satisfação igual, ou superior, na comparação com um produto-padrão.

Enquanto alguns produtos são considerados sustentáveis por gerar menos perdas, por serem recicláveis ou mais duráveis, outros possuem menos substâncias prejudiciais ou tóxicas. Ainda há aqueles em que o processo de produção consome menos energia.

 

Artesãos, cooperativas, pequenas empresas e agricultores familiares são os que mais ajudam na empreitada de ampliar o consumo consciente. Ao gerar renda, os orgânicos e sustentáveis dão um fôlego maior ao planeta.

Fibra de bananeira

Na família da artesã Luci Esteves dos Santos Souza, de Passos, produtos sustentáveis são um estilo de vida. Há cerca de 10 anos, ela fabrica peças a partir de fibra de bananeira, sementes, cascas e flores, e ainda reaproveita materiais como papelão, plástico e madeira, que seriam descartados no lixo.

Deste trabalho, são criados pufes, porta-retratos, cestos, bandejas, bolsas, carteiras, floreiras, mesas, luminárias e o que mais a imaginação permite.

Luminária confeccionada com fibra de bananeira, PVC e madeira reaproveitada

“Minhas peças são todas naturais e sustentáveis, porque podem ser descartadas na natureza sem interferir diretamente nela. É a minha forma de contribuir para o meio ambiente”, diz a artesã. 

Luci usa matéria-prima natural coletada na região de Passos e Carmo do Rio Claro. Com a fibra de bananeira, ela tece a linha com técnica própria e ,depois, customiza as peças, que custam a partir de R$ 8,00.  

Pufe baixo produzido com fibra de bananeira tendo pneu como base; são 66cm de corda da fibra feita à mão

Os filhos, Miriam, Vinícius e Mariana, ajudam a mãe a cortar materiais, montar e finalizar a peça. “Aproveito toda matéria-prima da bananeira sem agrotóxico e sem depredar a natureza. E meus filhos crescem com conceito de preservação ambiental”, explica Luci.

A sustentabilidade das biojoias

Você conhece biojoias? São peças artesanais feitas a partir de materiais  orgânicos encontrados na natureza que estão conquistando um público mais consciente do que compra e usa no corpo. Brincos, pingentes, anéis, pulseiras e colares são confeccionados artesanalmente usando folhas, galhos e sementes naturais, os quais são transformados nas também chamadas ecojoias ou joias naturais.

Em Passos, o conceito cativou a farmacêutica homeopata Giselda Reis. Depois de trabalhar 23 anos na profissão e administrar uma farmácia, ela se rendeu às biojoias por sempre nutrir encantamento especial pela natureza.   

Banhadas a ouro 18k, biojoias são fabricadas a partir de folhas, galhos e sementes naturais /Foto: Divulgação

Modelos de anéis mostram diversidade da flora brasileira / Foto: Divulgação

Colar produzido com a folha natural de Minurinha Bicuda / Foto: Divulgação

“Decidi empreender em outra atividade relacionada com meus princípios, como cuidar da saúde, amor à natureza e por jóias. Ao procurar por produtos sustentáveis, encontrei as biojoias e fiquei encantada com o conceito da empresa”, conta Giselda.

Ela recebe a primeira remessa de biojoias nesta semana e vai trabalhar o conceito junto ao ecoturismo da região, priorizando os negócios sustentáveis e apresentação em feiras e eventos artesanais e turísticos.

Giselda explica que toda produção das biojoias é artesanal, desde a coleta da matéria-prima até a finalização. Depois de colhidas e desidratadas, são preparadas com técnica especial para receber o banho de ouro 18k ou ródio. Não há uso de cádmio e níquel, elementos nocivos à saúde.

As coleções valorizam a diversidade da flora brasileira e dos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. Uma riqueza tupiniquim transformada em verdadeiras jóias naturais.

“As biojoias se diferenciam muito dos acessórios tradicionais porque possuem um design exclusivo criado pela própria natureza, tornando cada peça única e especial”, afirma Giselda. “Sem falar que a preservação do meio ambiente é promovida dentro da cadeia produtiva, respeitando o ciclo da natureza e o consumo sustentável com um conceito inovador em moda”.

Bracelete e brincos com formato natural da folha do Cerrado, bioma típico da região Sul de Minas / Fotos: Divulgação

Terça-feira é dia da Feira de Orgânicos

Verduras e legumes 100% orgânicos, como cenoura, beterraba, alface e couve, são vendidos na feirinha 

Toda terça-feira, acontece em Passos a Feira de Orgânicos, com produtos diretamente dos sítios de cinco pequenos produtores de Passos e Pratápolis. São verduras, legumes, frutas, queijo, mel, geléia, rapadura, café. Tudo orgânico e livre de agrotóxicos ou defensivos agrícolas.

A feira iniciou as atividades há um mês, pela iniciativa dos próprios produtores e apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/MG) e Prefeitura de Passos.

O espaço ocupado por eles ainda é pequeno, com duas ou três bancas de produtos, mas já é um movimento em direção ao consumo consciente, consequência do bom uso do solo.

Só podem vender na feira produtores que estão dentro da legislação dos orgânicos, com acompanhamento da Emater. É preciso se capacitar em cursos, aprender sobre práticas sustentáveis e obter os certificados que qualificam o produtor como orgânico.

No melhor exemplo de agricultura familiar, a família de Maria Abadia de Almeida, de Pratápolis, produz orgânicos há um ano e meio, como verduras e legumes: alface, couve, chicória, cebolinha, abóbora, cenoura, pepino, beterraba, repolho, jiló, couve-flor, além de frutas: jabuticaba, uvas e tamarindo.

No sítio de quatro alqueires, toda a família produz orgânicos na horta-mandala, técnica de plantação em círculo que garante melhor aproveitamento do solo e facilita manejo, irrigação e colheita.

Nessa linha, fabricam adubo orgânico e compostagem. Para evitar pragas, não há uso de agrotóxicos, mas sim de receitas naturais aprendidas nos cursos e com homeopatia agrícola. “Evitamos a contaminação do solo e ajudamos o meio ambiente. É gratificante saber que as pessoas podem comer bons alimentos sem nenhum veneno”, diz Maria.

Ela garante que o preço é o mesmo praticado nos grandes estabelecimentos, pois os orgânicos têm bom custo-benefício. Um pé de alface custa R$ 2,00, enquanto a abobrinha, R$ 3,00 a unidade. A grande diferença é que são 100% naturais e de procedência orgânica garantida, o que faz bem à saúde do ser humano e do planeta.

SERVIÇO

Biojoias by Giselda Reis. Afiliada Amarjon Biojoias em Passos (MG). Whatsapp: (35) 9844-5153. Facebook: Giselda Reis / Instagram: @amar_biogireis e @giseldareis

Sustentoarte – Artesanato em fibra de bananeira. Passos (MG). Whatsapp: (35) 99985-5707 e 99925-8691. Facebook: sustentoarte.mg / Instagram: @sustentoarte.mg

Feira de Orgânicos em Passos (MG). Rua Lúcio Pelegrino,esquina com Avenida da Moda ao lado do Mercadão. Toda terça-feira  das 17h às 21h.