SAÚDE

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Foto: Bruno Kelli / Amazonia Real

Controle da pandemia depende

de acesso igualitário a vacinas

Da  Agência Bori

01/09/2021

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Diante do perigo de emergência de novas variantes, o controle da pandemia de Covid-19 exige uma distribuição igualitária de doses de vacinas entre diferentes regiões do mundo. Em análise publicada hoje na revista “Cadernos de Saúde Pública”, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) defendem que a transferência de tecnologia de vacinas para países de baixa e média renda seja o próximo passo para acelerar a vacinação em massa.

Passados sete meses da análise dos pesquisadores, feita no início da vacinação na América Latina, a desigualdade regional na distribuição de doses ainda persiste. Segundo dados da plataforma Our World in Data, apenas 1,4% das pessoas de países de baixa renda receberam ao menos uma dose de vacina contra Covid-19 até 23 de agosto de 2021.

Os desafios, inclusive, aumentaram, na avaliação de Luis Eugênio Portela Fernandes de Souza, da UFBA, co-autor do artigo. “Ainda não temos nenhuma medida objetiva de aumento da escala de produção mundial de doses de vacinas, que exigiria suspensão de patentes, transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimentos”, analisa.

 

Na análise, a transferência de tecnologia é uma das saídas para aumentar a capacidade mundial de produção de vacinas contra Covid-19. Para isso, Souza acrescenta que seria necessário implantar novas fábricas e compartilhar informações sobre o processo de produção.

No Brasil, a conversão de alguns laboratórios para a produção de vacinas de Covid-19, hoje concentrada na Fiocruz e no Instituto Butantan, poderia expandir a oferta de doses, segundo avaliação do pesquisador.

O artigo aponta as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Consórcio Covax Facility, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com outras instituições, que  já afetam o cumprimento de seu cronograma de entrega de doses de vacina de Covid-19 para países pobres. “No ritmo atual, completaremos a vacinação de adultos apenas em 2024 e, assim, corremos o risco de perder de vista o controle efetivo dessa pandemia”, comenta o pesquisador.

Até agora, apenas 24,5% da população mundial tem as duas doses completas da vacina, segundo o Our World in Data. Para Souza, a distribuição equitativa de vacinas e, consequente, aceleração da imunização de países de renda baixa deve ser uma preocupação global.

“É de interesse de todos, mesmo dos países ricos, que a vacinação avance em todos os países do mundo para evitar o surgimento de novas variantes que podem ameaçar até mesmo populações com alta taxa de cobertura vacinal”.

Segundo o pesquisador, muitos governos de países ricos têm adotado uma postura contrária, investindo na reserva de doses para sua população em detrimento de distribuição de doses e tecnologias de produção para países de baixa renda.

É o caso de países como Israel, Reino Unido e Estados Unidos que, com novo aumento de casos, começam a discutir a aplicação de uma terceira dose na sua população. “Enquanto isso, alguns países da América Latina e da África não conseguiram vacinar todos os seus profissionais de saúde e outros grupos prioritários com duas doses”, comenta Souza.

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