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8 motivos para não temer

a vacina da Covid-19

Reportagem e edição: Keuly Vianney | 04/05/2020

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Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam oito motivos para tomar a vacina da Covid-19, num momento em que o desejo de se imunizar oscila no Brasil, de acordo com pesquisas de opinião pública. Conforme o Instituto Datafolha, em março deste ano 84% dos brasileiros tinham interesse na vacinação, contra 73% em dezembro e 89% em agosto de 2020.

 

Os pesquisadores de uma das maiores universidades públicas do país afirmam que somente com a imunização ampla da população será possível o início de um retorno ao novo normal e a real retomada econômica.

As declarações foram divulgadas no programa Outra Estação, da Rádio UFMG Educativa, na última sexta-feira, contando com a participação de Ricardo Gazzinelli, professor do Instituto de Ciências Biológicas e coordenador do CTVacinas; Sérgio Costa, professor de Imunologia; Sheila Lachtim, professora do Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública; Flávio Guimarães da Fonseca, professor do Departamento de Microbiologia e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia; e Laila Blanck Árabe, mestranda em Fisiologia na UFMG e membro da União Pró-vacina.

 

Muitas são as causas para que os imunizantes causem certa desconfiança na população brasileira. A principal delas são as notícias falsas (fake news), que minimizam a importância da vacinação, e os negacionistas, que tentam descredibilizar as vacinas, alimentando um certo receio em relação à imunização. Os estudiosos alertam que, na verdade, o inimigo é o vírus e não a vacina.

Por isso, não há necessidade de temer os imunizantes. O programa da UFMG informa que até 26 de abril, 562 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina contra a Covid-19 ao redor do mundo, sem grandes efeitos adversos. Por isso, se vacinar é um ato de empatia e salva vidas.

 

No Brasil, as vacinas disponíveis precisam de 2 doses para fazer o efeito desejado: a Coronavac, parceria do Instituto Butantan (SP) com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a Oxford/AstraZeneca, do Reino Unido em parceria com a Fundação Fiocruz (RJ). Ontem, chegou mais uma: a Pfizer, produzida nos Estados Unidos e Alemanha. Veja abaixo os 8 motivos para se imunizar e ajudar no combate do novo coronavírus.

1 - Eficácia comprovada
No programa, especialistas explicaram que a eficácia da vacina é cientificamente comprovada por testes rígidos e seguros. O desenvolvimento em tempo recorde das vacinas só foi possível porque, diante da urgência da pandemia, governos e indústria farmacêutica fizeram investimentos maciços nas pesquisas.

 

No Brasil, as vacinas passaram por várias baterias de testes como forma de garantir sua segurança e eficácia, com aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Coronavac e AstraZeneca testaram 12 mil indivíduos, apresentando-se seguras, sem casos graves e com apenas sintomas leves, como qualquer vacina já produzida no mundo.

 

A Coronavac tem sido alvo de fake news na Internet por ser fabricada na China. Os pesquisadores, entretanto, alertam que as mensagens falsas são mais políticas que reais, pois quando se pensa em medicamentos, mais de 70% dos remédios vendidos no Brasil são de origem ou tem alguma substância chinesa.

2 - Sem medicamentos

Os pesquisadores destacaram que ainda não há nenhum tratamento com eficácia comprovada para a Covid-19. Por isso, a vacina é a única forma de se livrar da pandemia. Estudos científicos já demonstraram que medicamentos como a cloroquina, a hidroxicloroquina e a ivermectina não funcionam, como divulga amplamente o governo federal.

 

Também já foi comprovado que o chamado tratamento precoce não existe, com estudos sérios de que o kit Covid não é indicado para tratamento contra o novo coronavírus, sendo até prejudicial com sintomas de arritmia cardíaca.

 

Já as vacinas foram rigorosamente testadas, sendo defendidas pelos pesquisadores como a solução mais eficaz no momento, juntamente com medidas de distanciamento social, uso de máscara, higienização das mãos e lockdown, quando necessário.

3 - Outras pandemias

O uso de imunizantes já livrou a humanidade de outras pandemias ao longo da história. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que as vacinas salvam aproximadamente 3 milhões de pessoas por ano. Sem elas, doenças como sarampo, rubéola, febre amarela e a gripe H1N1 seriam muito mais mortais.

 

Estudos publicados recentemente na revista The Lancet comprovam que sem vacinas contra a febre amarela, sarampo, rubéola e rotavírus, por exemplo, a mortalidade infantil seria 45% maior.

Médicos com roupas de proteção bacteriol

4 - Desafogar sistema de saúde

A vacina também pode desafogar o sistema de saúde, evitando formas graves da doença e diminuindo a disseminação da Covid-19, como apontam os pesquisadores da UFMG. Sem ela, a tendência é de colapso dos hospitais, como já ocorreu em localidades como Manaus (AM) no início de 2021.

                                 

Os sistemas de saúde pública e particular já mostraram que não dão conta de atender à alta demanda de internações, com UTIs e enfermarias superlotadas, e comprometendo o tratamento de pacientes com outras doenças graves, como o câncer, e vítimas de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

 

Nesse momento, só a vacina é capaz de reduzir as internações, uso de leitos hospitalares e de oxigênio. Isso já ocorre em Israel, onde 60% da população já foi imunizada com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19.

5 - Múltiplas mutações
Os pesquisadores explicaram que, sem a vacina, cresce o risco de múltiplas mutações do vírus, como as que geraram as variantes do Reino Unido, da África do Sul, de Manaus e mais recentemente da Índia. Sem imunizantes, a doença pode se espalhar mais rapidamente e se tornar mais letal. Com o maior número de vacinados, as mutações não acontecem, reduzindo a chance de aparecer vírus mais resistentes.

Laboratório de ciências

6 – Imunização segura

Outro ponto abordado pelos pesquisadores é sobre o fato de que a imunidade proporcionada pela vacina é muito mais segura do que a obtida pela infecção, já que o custo da imunidade coletiva pela transmissão do vírus é extremamente alto: a vida. Por isso, a chamada imunidade de rebanho não se mostra eficaz nesse momento.

7 - Pensamento coletivo

Um aspecto bem claro abordado pelos pesquisadores é o motivo de não  encarar como individual  a decisão de não tomar a vacina. Conforme eles, não se imunizar é uma atitude prejudicial à sociedade como um todo e compromete o esforço global para encerrar a pandemia. Se poucas pessoas se vacinarem, o vírus vai continuar circulando e ninguém estará seguro.

Brainstorming com máscara

8 - Efeitos colaterais

Neste tópico, os pesquisadores da UFMG esclarecem que não há motivos para temer a vacina, pois os efeitos colaterais só ocorreram em alguns poucos casos. Eles alertaram sobre algumas notícias falsas sobre as vacinas, como aquelas que dizem que a imunização altera o DNA ou causa autismo e câncer.

 

Efeitos adversos mais fortes à vacina, como no caso da alergia, são muito raros. De acordo com os estudiosos, efeitos adversos podem aparecer somente no dia que se toma a vacina ou na semana seguinte, no máximo, sem chances de sequelas futuras.

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